O macro se repete no micro. O micro repete o macro.
Porém, aqui no micro (vida terrena), nossas reproduções do Macro (interior da Divindade), têm sido cada vez mais distorcidas e cavernosas.
Aprendemos, desde cedo, a adorarmos e reverenciarmos nossa Origem Divina numa equivocada “hierarquia”, em que o Seu aspecto masculino se sobrepõe ao Seu aspecto feminino, ou seja, masculiniza-se em excesso (Deus) a Origem, relegando ao segundo plano o seu lado feminino (Deusa).
Sabemos que a Origem é, em Si, masculina e feminina [não como gênero, mas como poderes, frequências e vibrações que criam e sustentam os gêneros, entre outras coisas]. Então, poderíamos definir-Lhe como Deus/Deusa ou Deusa/Deus e estaríamos muito mais próximos do que é correto. Mas, simplificaremos e, a partir de agora, neste texto, sempre que nos referirmos à Origem [Deusa/Deus ou Deus/Deusa], denominaremos tão somente como Divindade.
Um bom exemplo desse aspecto, que move a nossa discussão, é como a Divindade é vista pela maioria das pessoas, ainda, em pleno século XXI, influenciadas, invariavelmente, pelas religiões vigentes e dominantes (ou, dominadoras, se quisermos ser mais claros).
Trazem essas religiões mentalistas, às pessoas, uma “imagem” distorcida de um Deus totalitário, punidor e que deve ser temido.
Em tempo: Segundo Rubens Saraceni, são mentalistas ou abstratas as religiões que se utilizam única e exclusivamente de recursos mentais para conexão com a Divindade, por intermédio do Verbo ou, trocando em miúdos, do abstracionismo. Elas execram toda e qualquer manifestação divina natural.
São naturais ou concretas as religiões que recorrem à Natureza Divina – por intermédio também do Verbo, mas, com este sendo associado e atuando junto aos elementos naturais que se encontram à nossa disposição – numa manifestação concretizada e que nos coloca como parte e partícipes de uma Natureza Maior.
Precisamos entender Natureza muito além da sua manifestação visível, que é apenas a ponta da “flecha”, ou, trocando em miúdos, a concretização de essências e poderes divinos. Natureza é essência, prova disso está quando nos referimos à natureza íntima ou à natureza de algo ou alguém. Essa Natureza primeira é animadora e sustentadora da natureza manifestada.
Bem… prosseguindo com o nosso raciocínio…
A Divindade deve ser amada… E ponto final!
Se, buscamos a paz interior e a plenitude como seres humanos, se buscamos evolução e ascensão, como, a todos esses objetivos chegaremos temendo alguém ou algo? Você consegue dirimir essa dúvida? É difícil compreender tal incongruência.
De qualquer modo, vamos analisar juntos.
Para as religiões mentalistas (igrejas em geral e todas as formas de religiosidade que não admitem a Natureza Mãe como parte fundamental da Manifestação da Origem), a Divindade é o Ser maior de toda a criação (nesse ponto, todos concordamos).
Sendo a Maior de Todas as inteligências, porque é, simplesmente, a Inteligência Criadora do Todo, parece óbvio que tudo surge a partir d’Ela e n’Ela tudo se realiza.
Então, tudo inicia na Divindade e para a Divindade tudo retorna.
Reiterando, esse é o ponto de concordância.
Mas, ainda se faz fundamental entendermos que a Divindade não é uma Inteligência Maior totalitária.
As religiões mentalistas, de forma muito competente, ao longo dos tempos, incutiram na cabeça das pessoas que a Origem Divina age dessa forma e é punidora
Colocaram uma parede gigantesca atrás dos seus altares, separando a Divindade das suas filhas humanas e dos Seus filhos humanos.
Filhos e filhas que, vivendo aqui, na dimensão humana do Planeta Terra (a 22ª das 77 cá existentes), neste plano da vida em que evoluímos, passaram a crer realmente que essa “Divindade Maior totalitária e punidora”, só pode ser acessada através dos(as) dirigentes dessas religiões, todas contidas em templos gigantescos.
E, alimentando sua humana arrogância, também passaram a acreditar que a Natureza foi criada e gerada pela nossa Origem Divina para servir ao ser humano.
Pois bem, vamos a um fato que precisa ser absorvido por todos: um cão é parte da natureza, um gato é parte da natureza, um galho de arruda é parte da natureza, uma rosa é parte da natureza, a água é parte da natureza, o ser humano é parte da natureza.
Se a Natureza serve ao humano, sustentando sua vida (e isso é verdade), o ser humano precisa, antes que tudo acabe ou se estabeleça o caos definitivamente, conscientizar-se de que ele também sustenta a vida na Natureza. E com essa consciência, esperamos, pare de matar aquilo que também lhe sustenta.
A relação de sustentação é (ou deveria ser, ao menos) mútua. Porém, infelizmente, não é assim que tem acontecido.
Esqueceram-se, ao longo dos tempos, as religiões mentalistas (enquanto incutiam besteiras e medo na cabeça das pessoas), de ensinar aos seus fiéis, que o verdadeiro amor à Divindade é manifestado cuidando da Criação, da qual fazemos parte, e não “berrando” sua fé, esbravejando ou, através de uma triste ignorância – e de forma preconceituosa -, arrasando com qualquer outra forma de compreensão e manifestação da fé naquilo que é Divino.
Portanto, caro(a) leitor(a), está mais do que na hora de vermos a Divindade no Todo.
Seja na árvore, na lagoa, na água que corre pelo chuveiro da sua casa, nas flores e plantas e, também, no seu íntimo.
Manifeste a Divindade e manifeste-se para Ela dessa forma.
Pois, ao contrário do que sempre foi pregado por aí, Ela não é totalitária.
Mostrar uma Divindade assim é mostrar a forma com a qual estes líderes religiosos querem dominar as mentes dos seus fiéis, a forma como querem dominar o mundo em que vivemos.
Será que é à nossa Origem Divina que eles estão servindo, realmente?
Aqui afirmamos: A Divindade não é totalitária, é democrática.
Ainda é mais correto dizer : A Divindade é a própria democracia, pura e real.
Usando somente os humanos como exemplo: Nossa Divina Origem nos fez a todos diferentes uns dos outros, dando-nos sempre a oportunidade de caminhar, evoluir e ascender, por meio das condições que nos foram apresentadas, mas, com nosso livre-arbítrio.
Criou-nos por meio dos Seus 7 Poderes Manifestados (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração). Ou, trocando em miúdos: fez com que A manifestássemos em nossos íntimos, diferentes que somos, cada um(a), filho(a) de um determinado par [ou casal] de Orixás, mas, todos(as), filhos(as) da mesma Origem Maior, afinal, todos os nossos Pais e Mães Maiores são manifestações de aspectos de uma Divina e Primeira Origem, Única e que, se dessa forma age, tendo nos criado e nos colocado numa senda evolutiva, não pode ser totalitária!
Então, caro(a) leitor(a), para encerrar: não aceitemos mais a imposição das doutrinas mentalistas. Ergamos nossas cabeças e nos voltemos às manifestações naturais da Divindade, ou seja, todos os campos e pontos de forças que compõem a Natureza, manifestam e nos abastecem com Seus Poderes e Forças.
Reflita e olhe para o seu íntimo. Lá, encontrará a Divindade!
Um Saravá Fraterno!
André Cozta
P.S: A imagem de apresentação deste texto visa representar, tão somente, a libertação das amarras da ignorância e do dogmatismo.
Link da imagem: https://www.adigo.com.br/inercia-organizacional-e-as-algemas-para-a-mudanca-de-cultura/



