ANESTESIA DOGMÁTICA

Estar anestesiado condiz com o fato de o ser humano se encontrar numa suspensão geral ou parcial da sensibilidade, em decorrência de problemas neurológicos, ou induzido por um agente anestésico.

No sentido figurado, o ser se apresenta em estado de impassibilidade, desinteresse ou apatia.

Neste texto, unimos esse conceito a outro já abordado por nós em escrita anterior, aqui nesta página, acerca do dogmatismo [texto intitulado Dogmatismo na Umbanda]. Porém, antes de prosseguirmos, revejamos um trecho desse artigo citado:

[…] No dicionário do Google, encontramos a definição para dogmatista como “adjetivo de dois gêneros; relativo a dogmatismo; que ou quem ensina ou estabelece dogmas”.

A partir dessa definição, sintetizaremos a nossa compreensão. Ela passa pelo fato de haver, indubitavelmente, em nosso meio, pessoas dogmatizadoras (que ou aquele que dogmatizaque ou quem se expressa em tom dogmático – segundo o dicionário do Google), bem como, pessoas dogmatizadas, que aceitam o dogma [e até buscam por ele, como quem busca uma fórmula – ou fórmulas – pronta(s) para o seu bem viver]. Além, é claro, das pessoas dogmatistas.

O ser dogmatista, além da definição por nós aqui exposta, linhas atrás, também – ouso estender a definição, por minha conta e risco – pode referir-se àquele sujeito que cria dogmas. E, talvez aí esteja o maior dos perigos dentro de todo este processo […]

 

Agora, com o amálgama das definições, podemos evoluir para um conceito complexo acerca da anestesia dogmática que vem tomando conta dos seres humanos em sociedade e se reflete, obviamente, no nosso meio umbandista.

A pessoa anestesiada pelo dogmatismo não aceita ampliar o seu raio de visão em grau algum, infelizmente. Ela, sob tal efeito anestésico, repete o dogma intermitentemente, tanto em seus pensamentos quanto nas suas manifestações verbais e não aceita e/ou admite que possa haver outras possibilidades, vias ou caminhos; não aceita um diálogo dialético, pois instalou em si um programa de repetição de ideias que não permite que se fuja, um milímetro sequer ,daquilo que nele está contido.

Assim sendo, não é possível uma discussão salutar que traga crescimento para todos que dela participam, simplesmente porque, ela não é viabilizada e não ocorre.

Conhecendo minimamente os ensinamentos antigos [mas sempre atuais e repagináveis] que esta religião centenária nos traz, entristecemo-nos em perceber que em um solo tão rico como o é o Sagrado Chão Umbandista, muitas pessoas não se apercebam de tal riqueza.

Não nos prolongaremos neste texto, pois, o objetivo é provocar uma reflexão em você, que até aqui chegou. Pense, reflita, veja situações em que isso ocorreu no seu ambiente umbandista. Pode apostar, encontrará várias!

Determinar, por exemplo, que um preto-velho ou uma preta-velha só pode utilizar café ou vinho nos seus trabalhos, além de não abrir o raio de visão, impede que o(a) guia-espiritual atue com maestria, afinal, todos os elementos são naturais e cumprem funções, às vezes análogas, noutras, distintas. E o pensamento dogmático, nesse caso, acaba impedindo a entidade de se utilizar, por exemplo, dos princípios ativos mágicos da cachaça ou da cerveja, simplesmente porque, alguém, um dia, sem fundamento algum {apenas dogmatizando] disse que isso era impossível, inviável ou proibido.

Se assim acontece na liturgia, também ocorre na teologia, e de forma ridícula até, pois, muitas vezes, a pessoa anestesiada pelo dogma não se apercebe que está brigando por uma narrativa [ou por termos de uma determinada narrativa] que, em conceito e essência, está contida na outra forma descrita ou oralizada, em termos distintos.

Por exemplo, se A diz que o Mistério Exu representa e simboliza o Caos, em detrimento de B, que diz que ele simboliza e representa o Mistério do Vazio, tais definições podem transformar o diálogo num campo de batalha, pelo simples fato de ambos os debatedores não analisarem a essência das narrativas, seus conceitos. Se, bem analisados, de modo filosófico, com interpretação e suspensão de juízo, muito provavelmente, chegarão à conclusão de que estão falando a mesma coisa em “línguas” diferentes.

Assim, sugerimos que reflita acerca dessa questão, irmão ou irmã umbandista. Você está anestesiado(a) pelo dogma?

 

Um saravá fraterno!

André Cozta

 

 Link da imagem: https://pt.vecteezy.com/arte-vetorial/2304683-vetor-desenho-mao-de-dentista-em-uma-luva-azul-que-segura-um-instrumento-seringa-com-medicamento-ou-anestesia

2 comentários em “ANESTESIA DOGMÁTICA”

  1. Perfeito André. Gostei do tema. Tudo tem um temo para as pessoas e lugar para as coisas se manifestarem. O 2026 ano de Marte, do Guerreiro, Xango e Ogum deberá mexer com muitas materias que estão ocultas e deverão trazer luzes.
    Feliz Natal e muito Sucesso no Ano Novo de 2026.
    Um Grande Abraço ao amigo e esposa.

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